1997,
mais ou menos. Estava em Fortaleza para fazer um curso de Técnicas de Venda
para os Gerentes do BEC, Banco do Estado de Ceará. Eles me hospedaram num hotel
no centro de Fortaleza, mas o local do treinamento era no Clube dos
Funcionários do Banco na Praia do Futuro a cerca de 40 minutos do hotel.
O taxi
era um fusca velho, caindo aos pedaços, sujo e cheirando a cerveja, cigarro e algumas
outras misturas que não vou colocar aqui. Como era habito naquela época, o
banco do passageiro da frente tinha sido retirado.
O
motorista era compatível com o carro, sujo e cheirando a cerveja, cigarro e algumas
outras misturas que não vou colocar aqui. Desdentado e com os dedos amarelados,
típicos do viciado em fumo. A conversa dele não lembrava nada civilizado. Mas,
quando perguntei o preço da corrida (para me levar e pegar no final da tarde)
ele deu o mesmo preço que o pessoal do Banco tinha dito para me orientar. “Pelo
menos isso.” Pensei. Fomos embora. Ele querendo conversar, eu não.
O
treinamento seria de dois dias e meio. No final do primeiro dia lá estava ele
esperando na hora combinado. Voltamos ao hotel. O taxista queria combinar para
me levar no dia seguinte. Eu desconversei e dei uma desculpa qualquer para não
me comprometer. No dia seguinte, fiquei escondido atrás de uma coluna na
recepção até ter a certeza que ele já tinha pego outra corrida, E assim foi até
Sábado, um sábado de extremos: metade para esquecer outra metade para nunca mais
esquecer.
Bom, o
dia começou legal. O pessoal do Banco me levaram passear de buggy nas dunas.
Comemos caranguejos e tomamos cerveja, banho no mar e muito sol.
De volta
ao hotel: banho, janta e descanso no quarto. Por volta das 22:00, a primeira
tragédia. Senti uma dor fisgada nas costas. Diferente! Aumentou e começou a
mudar de lugar. Muito estranho e muito doido. Fiquei quieto, esperando passar.
Não passou, só aumentou. Muito forte. As onze e meia decidi que se não passas
até meia noite iria descer e pedir ajuda. Não aguentei mais. Sai do quarto, mal
consegui chegar no elevador. Me lembro estar encostado na parede esperando o
elevador chegar. Saí e foi até a recepção, respirar e falar era um esforço
descomunal. Precisava cuidados médicos. Segunda tragédia. Os médicos de
Fortaleza estavam em greve. O Pronto Socorro da Santa Casa era a única opção.
Terceira tragédia. O recepcionista chama um taxi para me levar até a Santa
Casa. Quem aparece? Nada menos que o da fusca amarelo.
Tudo
igual, exceto ele me pegou pelo braço para ajudar entrar no carro. Eu já não
falava nada. Mas, estava imaginando o pior cenário possível. Sábado a noite com
greve de médicos e o único serviço disponível – a Santa Casa. Vai ser o caos.
Chegamos,
o taxista (nunca fiquei sabendo o nome dele e depois desta noite nunca mais o
vi) pegou meus documentos e me fez esperar no carro. O que ele fez, não sei,
mas poucos minutos depois me levou direto ao consulta com o médico de plantão.
Ele ficou plantado ao meu lado o tempo todo. O médico diagnosticou pedra no
rim. Deu algo para dor e uma injeção anti-inflamatório e um relaxante muscular.
Antes de voltar ao hotel, fomos a uma farmácia e ele, o santo taxista, foi com
a receita e comprou os remédios.
Desta
noite, não tenho mais lembranças a não ser que depois de voltar ao quarto, a
pedra foi expelida no primeiro xixi. Ahh! Quanto alívio.
Foi
muito marcado por esta experiência. Eu precisava tomar consciência dos meus
preconceitos. A desgraça da condição humana esconde o que é melhor da
humanidade. Só não vê quem não quer.
bondade,solidariedade, compaixão não precisam de aparências, formalidades.... aprendemos as coisas da vida com pessoas que por vezes sequer imaginavamos que poderiamos aprender algo. abs. rubens
ResponderExcluirLiçao de vida e um velho ditado "quem vê cara, não ve coração". Mas por vezes nos esquecemos disso e saímos a julga as pessoas! beijus querido amigos Gaines e Rubens.
ResponderExcluirParafraseando Vergílio Ferreira, a felicidade não está no que acontece, mas no que acontece em nós desse acontecer.
ResponderExcluirUm forte e carinhoso abraço nosso.