Dr. Rafael - “Depende...”
Eu - “O Dr. tem ideia da quanto tempo ficarei internado?”
Dr. Rafael - “Depende...”
Embora não resolve as minhas incertezas, entendo o “depende”.
Mas. se “dependesse” de mim...deixe para lá. Vocês
me entendem né.
O dialogo acima aconteceu na 6ª feira passada. Tive
consulta com Dr. Rafael da equipe de cirurgia. Ele me examinou (por dentro e
por fora) fez o levantamento histórico etc. e tal. Falamos sobre o leque das
possibilidades que vai desde inoperável até tratamento com radio e quimio
terapias sem operar. Também falamos sobre os riscos associados à minha idade, sobrepeso,
diabetes e hipertensão. São fatores que influem na minha capacidade de suportar
uma cirurgia agressiva e na velocidade da recuperação. Na verdade isso não foi
muito útil a não ser colocar todas as cartas na mesa. Mas, as minhas cartas,
aquelas com que vou jogar, só após os exames.
Ele me entregou um calhamaço de requisições de
exames[i] e
estou correndo atrás. Muita burocracia. Mesmo assim, a “Good News” é que, com a
ajuda dos filhos, estou conseguindo acelerar o processo e até o final da
próxima semana devo estar com todos os resultados na minha mão. Depois, é
retorno com Dr. Rafael para enterrar os “dependes”.
Descobri nestas últimas semanas que eu tenho dias
assim e dias assado. Dias assim são produtivos, dias assado, nem tanto. Ai, ás vezes
eu me lembro de uma frase, que não é minha, mas que guardo por mais de 40 anos.
A frase tem tudo a ver com decisões, grandes e pequenas, que tomei. Tem a ver
com quem eu sou. Tem a ver com a calma que tenho diante situações de conflito
ou perigo. A frase é: “A morte é nosso companheiro eterno. Está sempre à nossa
esquerda[ii],
à distância de um braço atrás. A morte é o único conselheiro sábio de um
guerreiro. Sempre que ele acha que está tudo errado e que ele vai ser aniquilado,
ele pode se dirigir a sua morte e perguntar se assim seja. Sua morte lhe dirá
que ele está enganado, e que nada tem importância a não ser o toque da morte.
Sua morte lhe dirá, “Eu ainda não te toquei.[iii]”
”
Mas, não pense que o seu guerreiro septuagenário seja
um ser sem medo. Me lembro até hoje de uma aventura que tive com 18 anos. Nas
minhas férias escolares trabalhava para poupar dinheiro para a faculdade.
Sempre tive trabalhos diferentes e desafiantes. Neste ano trabalhava como
fogueiro numa ferrovia antiga. Abastecia a maquina de vapor com carvão e levávamos
turistas até o topo de Monte Washington, a montanha mais alta na região este
dos Estados Unidos. Situado no meio dos 3.000km² da Floresta Nacional de
Montanha Branca a base da ferrovia estava muitos km da civilização.
Regra de ouro nº 1, nunca entrar numa floresta
sozinho; Regra de ouro nº 2, nunca entrar numa floresta sem avisar a rota que
vai tomar e a hora que vai voltar. Já adivinhou, “of course.” Um belo dia esse
idiota que vos escreve, resolveu sozinho procurar a lagoa de uma cachoeira para
tomar banho e sem avisar ninguém. Conhecia o caminho e que a cachoeira estava
mais ou menos uma hora do nosso acampamento. Foi! Nunca tinha cruzado com um urso
preto a não ser no zoológico, mas sabia que tinha por lá. Ai, não deu outro.
Quando já tinha andado cerca de meia hora ouvi o bramir que me gelou. Não deu
outro, me desatei a correr e para dizer a verdade nem sei se sujei a calça ou
não.
Gaines, "Esta vida é uma estranha hospedaria, de onde se parte, quase sempre às tontas.
ResponderExcluirPois as nossas malas nunca estão prontas e nossa conta nunca está em dia." Mario Quintana Esta é uma das frases que recordo em situações difíceis, mas, sei que a marcha continua sempre em frente. As vezes não enxergamos a estrada, está escuro, mas faz a curva e vê a saída! Um beijo no coração. Te escrevo de Coimbra.