Mas, como já foi mencionado em postagem anterior “Tem dias
assim e tem dias assado!”. Além disso, tem dias que começam assim ou assado e
terminam ao contrário. Também têm dias que desafiam qualquer classificação.
A postagem de hoje tem o proposito de dividir convosco o melhor e o pior. Sendo assim: Aviso aos navegantes, prossiga com a
leitura sob risco.
Saber ser hospedeiro de um câncer mexeu profundamente com
meu ser. Fisicamente, pouco mudou, pois ele já estava alojado antes que eu
tomasse conhecimento. Um visitante nojento que entrou, escondeu-se, grudou e
sujou sem pedir licença. Uma total falta de respeito.
A mexida maior foi e continua sendo na minha cabeça. Ai fui
atacado por todos os lados, por cima, por baixo, por dentro e por fora. Com
franqueza digo que por muitos anos tenho refletido com tranquilidade e
serenidade sobre a fragilidade da vida e a mortalidade. Mas o tapa na cara
inesperado do câncer mudou as coisas. Não é uma coisa que temo, de verdade, mas
o impacto que isto tem nos outros (família e amigos) me entristece. Também fico
puto (Brasileiros me desculpem pelo uso de uma expressão bem portuguesa que
quer dizer “chateado”[i])
pensando em eventualmente não poder continuar meu trabalho na luta da sociedade civil para salvar o planeta dos
desmandos dos homens. Estou perdendo precioso tempo em 2013 porque fui impedido de viajar e
advogar nas negociações internacionais de clima. Fiquei
plantado sozinho com a minha cabeça.
As vezes não tenho mesmo a disposição de sentar e escrever
para o blog ou fazer os artigos que assumi fazer para o Boletim de Vitae
Civilis. Quando decidi fazer o blog queria fazer uma postagem por dia. Não deu,
me desculpem. Outras vezes, penso, penso e penso como escrever um artigo com
contundência e realismo temperado com uma dose de humor. Tem postagens que
começam com o título, outras que terminam com o titulo e ainda outras com dois
ou três títulos, o que me obriga escolher. Mas, de qualquer forma, estou aprendendo
pela experiência. Eu me conheço melhor.
Tomografias, sem metastases, sem comprometimento de outros órgãos e o diabo do tumor continua alojado no intestino grosso; Eletrocardiograma normal com exceção de um bloqueio de sinal de nível 1, que não inspira preocupações maiores (se fosse de nível 3 indicava necessidade de marca-passo);
Análises de sangue, normais exceto pela presença de células cancerígenas, que era de esperar pois tenho câncer – duuhhh!
Médicos consultados até agora dizem “Parabens pelos exames!”.
Já pensou no contrassenso da frase. Entendo bem as boas intenções pois, as pessoas estão felizes por ver que os resultados são bem melhores que os piores cenários possíveis. Me too!
Mas, o câncer é meu, ouviu!
[i] By
the way, você sabia que chateado tem origem no pequeno inseto, o chato? Os etimólogos dizem que o termo “chato”
provém do nome vulgar dado a um inseto anopluro da família dos pediculídeos (phtirius púbis ou pediculus pubis), geralmente cosmopolita, que gosta de viver na
região pubiana e, eventualmente nas sobrancelhas e axilas.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirVoce escreve muito bem!!!!!!! Vamos em frente! Saudades.
ResponderExcluirOi! Sou amiga do seu neto, Thiago, e ele me recomendou seu blog.
ResponderExcluirAdorei as histórias e quis compartilhar com você que tive a mesma notícia dos médicos... quando o médico me ligou, falou: "Primeiramente eu queria te parabenizar por ser uma pessoa de muita sorte porque aquela pinta que a gente tirou era realmente um melanoma, mas como pegamos bem no começo as chances de cura são grandes".
Putz!!!
Depois de vários exames que fiz e soube que não tinha metástase e de uma junta médica reavaliando a biópsia e concluindo: é melanoma, fiquei até feliz, você acredita? rsrsrs
Graças a Deus que era só câncer!
Vamos ficar bem. Tenho certeza!
Vamos em frente sem esmorecer, apesar de às vezes isso parecer difícil!
Um abraço e coragem!
Oi Campbell, parabéns pela coragem na transparência de um assunto tão delicado. Que bom saber que você está bem. Sucesso na reta final da recuperação e desejo energia para que você queira continuar ajudando o mundo a enxergar o problema das mudanças cllimáticas. Forte abraço. Glauco.
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